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Se Isto Não É Um Blog

Quantidade absurda de parvoíces, recheada com comédia e apresentada em forma de crónicas, artigo ou desabafo

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Quantidade absurda de parvoíces, recheada com comédia e apresentada em forma de crónicas, artigo ou desabafo

Dom | 17.06.18

Excursões

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Faz parte da tradição Tuga, especialmente em zonas mais isoladas, organizar excursões. Os destinos requisitados são variados. Desde Fátima a Lisboa, passando pelo Porto e pelo Algarve, mas há uma coisa que não muda: aquilo que acontece numa excursão.

 

O dia começa por volta das sete, quando as galinhas ainda estão a dormir. Junto à paragem de autocarro encontra-se um aglomerado de pessoas que, apesar de terem acordado à meia hora e ainda terem remelas nos cantos dos olhos, esperam efusivamente a chegada do autocarro (ou a famosa "carreira" se a pessoa que proferir tal palavra tiver mais de 50 anos) com as suas geleiras à tiracolo carregadas de comida que dava para alimentar uma aldeia africana durante uma semana.

Assim que entramos no autocarro os putos começam à batatada para verem quem é que fica sentado ao pé de quem. As senhoras de idade avisam o condutor para não ir depressa, há tempo que chegue para fazer 200 Km. Eu, como uma pessoa normal, prefiro dormir. Mas não consigo!!! Assim que a porcaria do autocarro arranca começam a cantar músicas populares portuguesas! Escusado será dizer que se a excursão for de carácter religioso a música passa a ser o "Guiado pela mão" e é cantada em modo repeat durante as duas horas de viagem.

 

Quando as vozes ficam gastas ou o reportório acaba alcança-se finalmente o tão apetecido silêncio... Que dura em norma cinco segundos. Este silêncio é nos retirado de forma repentina e abrupta através de uma coluna portátil JBL que expele no volume máximo uma música eletrónica ou então a voz esganiçada de um MC brasileiro. Qualquer uma das hipóteses é horrível, convém dizer.

À chegada ao destino, as pessoas começam logo a esvaziar o autocarro pois têm as pernas doridas. No entanto, os velhotes e os gordos ocupam o estreito corredor do autocarro e acabam por atrasar tudo. Atraso esse que vai-se refletir no tempo que cada um tem para ir fazer um xixi e comer uma bucha.

  

Escusado será dizer que as mulheres têm logo aqui um handicap, pois por cada dez homens que vão à casa de banho, fazem o serviço e lavam as mãos, à uma mulher que só tem tempo de se olhar ao espelho.

 

Assim que entramos no local que fomos visitar conseguimos detetar uma espécie irritante e abundante neste tipo de excursões: o gajo que tira foto a tudo. A idade deste espécime irritante varia. Tanto pode ser uma criança que tem um telemóvel que vale dois ordenados do pai, ou um velho que, como é óbvio, não sabe como se muda para a câmara traseira e acaba por tirar 327 selfies desfocadas e com flash.

Há ainda um outro tipo de pessoas que só aparece no caso de existir um guia turístico a acompanhar o grupo: o gajo que não segue o guia turístico. Basicamente o que este individuo faz (ou indivídua, que vai passar a existir a mando das Capazes) é seguir mais à frente do grupo ignorando todas as explicações. Fuck You guia turístico!

 

Em chegando o meio-dia todo o grupo se reúne e faz um belo almoço partilhado. É frango assado, é panados, é rissóis, é pizza, é croquetes, é tudo. Quem olha para uma mesa daquelas pensa imediatamente num banquete medieval em que selvagens lutam para ver que é que fica com a última batata frita. Durante o almoço ainda há um outro acontecimento de relevo: quando encontramos um grupo de outra terra. Quando isto acontece ambos os grupos de transformam em autênticos hooligans e começam a fazer uma espécie de combate musical. As principais músicas usadas nestes combates são as marchas populares da terra ou outra música qualquer. O importante é gritar mais alto que os outros.

 

No final do almoço começam a cair os primeiros soldados. Ou é o velho que adormece depois do almoço, ou é o puto que vai comprar um calippo de limão e perde-se, ou é o gajo que fica hipnotizado com o rabo de uma estrangeira. Quando vamos a ver o grupo já está reduzido a metade visto que os velhotes já estão à rasca das varizes e têm de ficar sentados durante a tarde toda.

 

À tarde visitamos um outro local mas não vou aqui relatar, até porque nesta altura o sono começa a bater forte e a minha atenção cai para níveis mais dececionantes que o rendimento do Roberto quando estava no Benfica.

 

Quando a visita acaba voltam todos para o autocarro e os miúdos voltam à batatada por causa dos lugares marcados. Também ocorre aquela mítica contagem para verem se falta alguém. Como sempre falta alguém. Vamos a ver e é o Sr. Carlos, que ainda está a dormir e a babar-se sobre a mesa do almoço.

Na viagem de regresso, à sempre um miúdo gordo que vomita por causa da quantidade de pizza e hambúrguer que mamou ao almoço.

 

Chegamos a casa no final do dia todos estourados. Ninguém quer jantar, todos dizem que ainda estão cheios dos croquetes do almoço, mas a mãe diz que vai ter de se acabar com a comida que sobrou da viagem (que dá para 5 dias). 

 

 

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