Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Se Isto Não É Um Blog

Quantidade absurda de parvoíces, recheada com comédia e apresentada em forma de crónicas, artigo ou desabafo

Se Isto Não É Um Blog

Quantidade absurda de parvoíces, recheada com comédia e apresentada em forma de crónicas, artigo ou desabafo

Sex | 03.08.18

A Praia É Assim Tão Fixe?

praia-cheia-pessoas.png

 

 

Agora que entrámos em agosto, é altura de falar sobre praia, até porque na silly season não há mais nada para se falar. A praia é um ótimo lugar para observar a espécie humana, sendo que por vezes até a podemos observar tal e qual como veio ao mundo (a.k.a. praias nudistas) e ,como tal, resolvi escrever esta crónica.

Primeiramente devo tomar a minha posição em relação à praia: odeio. Não me comessem a agredir, se faz favor. Eu tenho argumentos muito válidos que apoiam a minha opinião e vou apresentá-los aqui:

 

Putos a chorar: Vamos lá admitir, há sempre um puto a chorar na praia. Este é um dos principais flagelos da humanidade em termos de praia e raramente é solucionado. Ou é porque o miúdo tem sono, ou é porque uma onda destruiu o castelo de areia, ou é porque o gelado derreteu... Há sempre uma coisa que faz despertar as cordas vocais destas amostras de humano e faz com que uma quantidade absurda de energia em forma de som seja libertada na atmosfera. Não vou apelar à proibição de crianças e bebés na praia, mas peço aos pais que lhes deem um bocadinho de Xanax antes de saírem de casa.

 

Escaldão: Quem nunca ficou vermelho como uma lagosta e com a pele a cair que levante a mão. Às vezes bastam 5 minutos ao sol para parecer o Hellboy! Mas o pior não é o facto da nossa pele cair toda, é mesmo aquele nosso amigo que na semana seguinte dá em média 37 chapadas por minuto na zona queimada. O engraçado é que todos os anos apanhamos uns dois ou três escaldões e nunca nos ocorre na cabeça acabar com isto. É tão fácil besuntar o corpo com protector solar, mas nós continuamos a cair no mesmo erro. Enfim... Viva o cancro da pele!

 

O gajo que molha os outros: Um pé. Outro pé. Os pelos estão eriçados. Lentamente vamos entrando na água. Está frrrrrrrria. Vem uma onda. Molhou-nos até aos joelhos, menos mal. Vamos andando para a frente. Passamos a zona de rebentação. A água está prestes a tocar os testículos. Respiramos fundo. Contamos até 10. Contamos até 20. Sentimos a tentação de voltar para a toalha. Somos homens ou somos ratos? Somos homens, decidimos continuar! Contamos até 50. Colocamos uma mãona água em forma de conchinha e começamos a molhar os braços, o peito... De repente, chega um amigo que nos molha, agarra-nos no pescoço e mergulha-nos a cabeça na água. Cabrão... 

 

Olha a bolinha: Para quem gosta de fazer uma bela sesta na praia, o senhor que vende bolinhas é um autêntico pesadelo. Quando estamos mesmo a adormecer aparece sempre uma voz por perto que recita aquele famoso verso dos Lusíadas "Olha à bolinha!!! / É com e sem creme". A partir desse momento sabemos que toda a sesta está arruinada. Porquê? Porque entretanto compramos uma bola de berlim e o sono passa. Depois, para piorar as coisas, dá-se o processo inverso. Quando temos fome onde é que anda o senhor das bolinhas? Não há sinal dele...

 

Areia na toalha: Há quem não se importe de ter areia na toalha, mas para essas pessoas só tenho uma coisa a dizer: não vão à praia comigo. Se o objetivo é ter areia na toalha, não usem toalha e deitem-se diretamente na areia. Não me interessa se é um grão ou se é uma duna completa, não quero e pronto!

 

Tusa: Alerta tema masculino! Provavelmente, as mulheres nem percebem o sofrimento que um homem tem quando ocorre o fenómeno "tusa" numa praia. Acontece o seguinte: a fisionomia do homem faz com que certas partes do seu corpo formem um acentuada saliência junto à cintura quando estão presentes mulheres bonitas (por vezes não precisam de ser bonitas, é facultativo e depende do homem em questão. Por vezes nem sequer é precisa a presença de uma mulher. Por vezes até pode ser na presença de um homem. Basicamente acontece a toda a hora). E adivinhem onde é que há muitas mulheres bonitas? Ding, ding, ding! Na praia existem muitas mulheres bonitas (e ainda por cima semi-nuas) e portanto é quase inevitável que, de vez em quando, os homens se deitem de barriga para baixo. O pior é quando este fenómeno ocorre durante a sesta. De repente parece que existe um novo guarda sol na praia.

 

Bola de futebol: Quem é que nunca levou com uma bolada na praia? Aquele grupo de miúdos que pensam que são o Cristiano Ronaldo arranjam sempre maneira de espetar com uma trivela nas trombas de alguém. Não adianta pedir para se afastarem mais um pouco porque eles acabam por mandar uma bujarda a 80 metros de distância e a bola acerta-nos na mesma. A melhor maneira de afastar estes Madjers é fazer um círculo de pedras ponteagudas em torno da nossa toalha. 

 

Peixe aranha: Não, não é mito. Existe mesmo, ao contrário do monstro de Lockness ou da inocência do José Sócrates. Quem já sofreu um ataque deste bicho do mal diz que dói mais do que terminar uma relação pelo Facebook, mas é menos doloroso do que ver o craque da nossa equipa a ser vendido para o rival.

 

Guarda sol voador: Quando está um dia ventoso o melhor é nem montar o guarda sol. Para quê? Passa o dia todo a voar de um lado para o outro. Parece que ganha vida! Aposto que o diretor de cinema  Robert Stevenson se inspirou neste fenómeno para criar o filme da Mary Poppins. No entanto, tenho de admitir que é uma boa técnica para pessoas que queiram perder peso. Basta montar o guarda sol num dia ventoso e depois levantar-se e correr 389 vezes para o apanhar. Sempre dá para perder umas calorias.

 

Água Fria: A malta responsável pela construção de praias tem-se desleixado no que toca à colocação de esquentadores. No entanto, de vez em quando, conseguimos encontrar zonas quentinhas na água. Nesses locais há sempre uma criança agachada e com ar de quem está a fazer algo que não deve. Ainda não percebi a relação entre estes dois fenómenos, mas estou a investigar o caso. Quando tiver uma conclusão aviso.

 

Para terminar, vou contar a história mais humilhante que se passou comigo numa praia:

Estava eu num belo dia de sol a apanhar conchas com a minha mãe, quando me deparo com um belo exemplar. Agarrei a concha com ambas as mãos e apreciei a sua beleza. Pensem para mim próprio "tenho de mostrar esta concha à minha mãe! É mesmo bonita". Como já estava de cabeça baixa à procura de conchas há algum tempo, ao levantar a cabeça apercebi-me que me tinha afastado da minha progenitora. Não demorou muito até encontrá-la. Lá estava ela, a uns 20 metros de mim, inconfundível com o seu fato de banho preto e o cabelo escuro mas já com muitas marcas da velhice.

Corri para ela entusiasmado. Aquela concha era mesmo bonita! Agarrei-me ao seu pescoço dela e saltei-lhe para as costas. "Mãe, mãe! Olha esta concha que eu encontrei! É bonita, não é?". A minha mãe olhou para trás e adivinhem!? Não era a minha mãe!!!

A senhora a quem eu estava agarrado olhou para mim e com um sorriso disse "É muito bonita". Entrei em pânico. Sem nunca sair das costas da senhora olhei para o lado e vi a minha mãe petrificada a olhar para aquela situação. Saí de cima da senhora (não usar esta frase fora do contexto). Olhei para a senhora, olhei para a minha mãe. Larguei a concha para o chão e fugi.

 

Gostaram do post? Então subscrevam este blog e sigam-me no TwitterFacebook e Youtube.